Cicatrizes do tempo

Estava reparando como a nossa memória nos engana. Muitas vezes achamos que somos insensíveis pois esquecemos de certas coisas que não deveriam ser esquecidas. Mas ela mostra que quase tudo está armazenado em nossa mente, nem que seja lá no fundo.
Estava fazendo uma prova no fim-de-semana e, como fico muito tenso com esse negócio de horário, logo entrei na sala e fiz a identificação. Escolhi uma carteira, me sentei e fiquei lá esperando e olhando ao meu redor. Bem perto de começar a prova, um rapaz senta perto de mim. Eu nem prestei atenção, mas quando estavam entregando as provas percebi que reconhecia ele. Como as salas estavam divididas por ordem alfabética, conclui que era ele mesmo, já o nome do dito cujo tem a mesma inicial que a minha. Fazia muito tempo que eu não o via (2 anos para ser mais exato), nem tinha muita amizade. Mas reparei como a cabeça da gente lembra de coisas que nunca poderíamos imaginar.
A mesma coisa acontece quando sentimos algum cheiro, algum gosto, ouvimos alguma música ou quando fazemos algo semelhante a algo do passado. Parece que vem um estalo em nossas mentes e volta tudo aquilo que nós achamos que tinhamos esquecido na nossa memória. Quem nunca sentiu isso? Isso é recorrente em minha vida. Quando sinto o cheiro daquele doce que eu gostava quando criança lembro-me de de minha infância. O cheiro de uma flor que minha mão plantava me faz relembrar dos tempos em que eu brincava no jardim. Aquela música que marcou uma viagem. Aquela imagem que você vê e lembra que você mesmo já passou por algo parecido. Tem tanta coisa que remete ao nosso passado. Coisas que são peculiares para cada um. Eu me lembro bem do gosto de um mousse de chocolate comprado em um grande supermercado que ficava em uma cidade próxima à cidade em que eu morava. Ele me faz lembrar de momentos bons e ruins que aconteceram naquela época.
Nossa visão também nos prega grandes peças. O dia em que vi a casa em que eu passei alguns anos de minha infância foi muito emocionante. Uma mistura de saudade, felicidade e tristeza. Mesmo tendo passado por situações desagradáveis ali, aquilo me trazia lembranças boas, como a época em que eu brincava de bola com minha irmã lá no fundo, geralmente antes de nós brigarmos. Mas, vendo agora, era tão bom…
Acho isso tão controverso: só reparamos nas coisas boas depois que elas se vão. Até já comentei isso no blog. Como nós perdemos tempo…
Tomara que noss próximos momentos bons de minha vida, eu lembre de aproveitar mais. Que esse “estalo” não se perca.

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